Esse é o forte argumento comumente usado pelos pregadores do dízimo, para rebater os cristãos recalcitrantes, não dizimistas, que afirmam que o dízimo é da lei. Realmente, parece um argumento e tanto, bastante robusto, irretorquível. Mas acompanhe passo a passo o raciocínio a seguir.
Os preceitos que se seguem também são anteriores à lei, e foram incorporados a ela, mas nem por isso nos sentimos obrigados a observá-los, e nem somos ensinados a fazê-lo:
*A distinção entre animal limpo e animal imundo, e a conseqüente proibição de comer a carne deste último [Gênesis 7, Levítico 11];
*A circuncisão [Gênesis 17, 21; Josué 5];
*O sacrifício de animais [Gênesis 15; Êxodo 20, 24; Levítico 1 e seguintes];
*A consagração dos primogênitos dos homens e dos animais a Deus [Êxodo 13, Números 3];
*O levirato [Gênesis 38, Deuteronômio 25];
*A celebração anual da páscoa [Êxodo 12, 23; Josué 5];
*A guarda do sétimo dia (sábado) [Gênesis 2; Êxodo 16, 20, 23].
Você certamente concorda comigo nisso, mas poderá levantar uma forte objeção: É verdade, o raciocínio acima parece lógico, mas o dízimo aparece também no Novo Testamento, logo deve ser observado, pois ficou inserido no contexto do evangelho! Então vamos continuar investigando o caso.
*A distinção entre animal limpo e animal impuro aparece também no Novo Testamento. O apóstolo Pedro tinha dificuldade com isso, mas parece que esse problema foi resolvido, pelo menos em relação aos gentios [Atos 10, 11, 15];
*A circuncisão também está no Novo Testamento, e está relacionada à pessoa mais importante. E foi justamente no dia da sua circuncisão, quando completou oito dias de vida, que ele recebeu o seu nome: Jesus [Lucas 2]. Aliás, a prática da circuncisão até aparece lá bem na frente. O próprio apóstolo Paulo circuncidou Timóteo, filho de uma judia crente e pai grego [Atos 16];
*De igual modo, o sacrifício de animais. Na consagração do primogênito Jesus, foram sacrificados um par de rolas e dois pombinhos [Lucas 2];
*E como estava escrito na lei, ele foi também consagrado ao Senhor na condição de primogênito [Lucas 2];
*O levirato, por sua vez, ainda era praticado nos dias do Senhor Jesus. Os saduceus nos dão notícia disso nos três Evangelhos [Mateus 22, Marcos 12, Lucas 20];
*A celebração anual da Páscoa, também. E o próprio Senhor Jesus a celebrou [João 2, 13, 18; Mateus 26];
*E até o polêmico sábado era observado [Lucas 4, 23; Mateus 24].
E o que dizer do voto? Não me refiro ao voto com o qual elegemos os bons (pouquíssimos) e os maus (muitíssimos) políticos para os cargos públicos. Falo da promessa votiva, isto é, da promessa com que uma pessoa se obriga para com Deus. Aliás, a obrigação do dízimo para os israelitas, a meu ver, nasceu do voto de Jacó (portanto antes da outorga da lei). Em diversas ocasiões, Deus deu longas e detalhadas instruções a Moisés sobre o voto, particularmente o de nazireu [Levítico 27; Números 6, 30; Deuteronômio 23]. Os nazireus mais conhecidos da Bíblia são: Sansão [Juízes 13], Samuel [I Samuel 1], João Batista [Lucas 1, 7]. No Novo Testamento, temos notícia de que o apóstolo Paulo raspou a cabeça, em Cencréia, por ocasião da sua segunda viagem missionária, por ter tomado ou feito voto [Atos18]. E foi exatamente pelo seu envolvimento no cumprimento de votos alheios, feitos por quatro homens, quando seguia sugestões dos apóstolos, que acabou sendo preso e processado em Jerusalém, o que pôs fim à sua carreira missionária e resultou na sua ida a Roma, para julgamento perante o tribunal do imperador César [Atos 21 a 29].
Então reflita novamente e responda: Estamos sendo ensinados a observar esses importantes preceitos acima mencionados, que à semelhança do dízimo, existiram antes da lei e foram a ela incorporados e eram observados nos tempos do Novo Testamento? [ ] Sim [ ] Não.
Por que será que somente o dízimo é ensinado e com tanta ênfase, com promessas e maldições? (Conheço as poucas exceções). Não parece ser um ensino enganoso, muito bem montado sobre a verdade, tendencioso e muito vantajoso para o doutrinador? [ ] Sim [ ] Não.
É por isso que eu digo: É o engano cavalgando a verdade.
Tome tento, leitor! Nem tudo o que foi ordenado ou ensinado na Bíblia, os cristãos praticam, ou são ensinados a praticar. Quer ver? Se você tem um filho contumaz e rebelde, que não obedece ao pai nem à mãe, e mesmo quando castigado não dá ouvidos a seus pais, o que fazer com ele, segundo o que está ordenado na Bíblia? Deuteronômio 21 prescreve direitinho o que se devia fazer com ele! Leia o texto com bastante atenção, e descubra por si mesmo. E o que você pensa disto?: Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti..., Se tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti... Conheço muita gente que anda tropeçando (inclusive pregadores do dízimo), mas ainda não vi ninguém que tenha arrancado o olho direito ou a mão direita por causa desse conselho do Senhor Jesus! No Novo Testamento, Tiago dá instruções detalhadas sobre algumas providências que o cristão deveria tomar diante de certas circunstâncias: Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores. Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor [Tiago 5]. (Não seria esse o Plano de Saúde dos cristãos, que deveria ser mantido pela fé?). Não parece ser esse o ensino ou a prática da igreja em geral. Talvez as duas primeiras providências tenham merecido alguma atenção. Mas a última tem sido sistematicamente desprezada. Nesse caso, pelo menos, não se toma a Bíblia como palavra de Deus! Quem sabe por isso muitas igrejas já nem elegem ou constituem presbíteros, como era costume no início do cristianismo [Atos 14, Tito 1]? O presbítero se tornou uma figura dispensável. Ou será porque já não estão encontrando homens com as qualidades de um presbítero dos primeiros dias da Igreja? Mas alguém pode argumentar: Os pastores e os bispos ocupam o lugar dos presbíteros. Que seja. Então porque não são chamados para aquele mister; e, quando chamados, não se obtém o resultado buscado de cura, como está dito na epístola de Tiago? Alguma coisa deve estar errada! Precisamos reexaminar a nossa teologia, nossas doutrinas ou, quem sabe, a nossa fé!
Há algum tempo, formulei uma pergunta com base nessa orientação de Tiago, nos seguintes termos: Em que circunstância, uma pessoa (homem ou mulher), incrédula, ímpia e até blasfema substitui o presbítero?
Ninguém a quem eu fiz a pergunta atinou com a resposta. Ora, o que se vê hoje, é que se alguém da igreja está enfermo, a providência é chamar o médico (ou levar o enfermo a ele), seja ele reconhecidamente ateu, ímpio e até blasfemo, não importa; e não chamar os presbíteros da igreja, como recomenda Tiago. Viu como nessa circunstância essa pessoa incrédula, ímpia e até blasfema substituiu o presbítero?
Dízimo x Sábado
Ultimamente se tem dado muita ênfase à prática do dízimo. Até a Igreja Romana, que o adotou em tempos passados e dele desistira, voltou a pregá-lo. Não com a violência com que alguns pregadores evangélicos o fazem: ameaçando, excluindo da igreja ou não permitindo que o não dizimista dela participe; mas com argumentos piedosos, suaves, persuasivos, longe da síndrome de Malaquias e bem distante da síndrome da maluquice. Em face dessa importância que se tem dado à prática do dízimo, quero fazer uma observação. Ou melhor, levar o leitor a fazer uma comparação do dízimo com o sábado, que poderá trazer mais luz a essa investigação. Em poucas palavras, quais as conseqüências imediatas, se não se desse o dízimo, conforme nos informa Malaquias 3? Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda. E o que aconteceu com o primeiro israelita que infringiu o preceito da guarda do sábado (cuja ordenança é anterior à do dízimo, e foi repetida diversas vezes), quando foi pego apanhando lenha para cozinhar o seu guisado [Êxodo 16, 20; Levítico 27]? Tal homem será morto; toda a congregação o apedrejará fora do arraial. Levou-o, pois, toda a congregação para fora do arraial, e o apedrejaram; e ele morreu, como o Senhor ordenara a Moisés [Números 15]. A inobservância do preceito do sábado teve conseqüências mais graves do que a inobservância da prática do dízimo.
Agora, puxe pela memória. Algum pregador já ameaçou você de morte, de maldições ou de exclusão da igreja, por não observar o sábado? [ ] Sim [ ] Não. Algum pregador já ameaçou você com maldições ou com a exclusão da igreja, por não entregar o dízimo? [ ] Sim [ ] Não.
Agora, puxe pela memória. Algum pregador já ameaçou você de morte, de maldições ou de exclusão da igreja, por não observar o sábado? [ ] Sim [ ] Não. Algum pregador já ameaçou você com maldições ou com a exclusão da igreja, por não entregar o dízimo? [ ] Sim [ ] Não.
O voto de Jacó
A segunda vez que o dízimo é mencionado é pelos lábios de Jacó, no episódio da visão da escada, quando fugia de seu irmão Esaú, indo para Padã-Arã. Leia devagarzinho o texto. Uma, duas ou mais vezes. Pese cada palavra que foi dita por Deus a Jacó. E cada palavra que Jacó disse a Deus. Deixe o texto falar ao seu entendimento: A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti, e à tua descendência. Deus falou. Agora, é Jacó falando: Se Deus for comigo, e me guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e roupa que me vista, de maneira que eu volte em paz para a casa de meu pai, então o Senhor será o meu Deus; de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo [Gênesis 28]. E Deus foi com ele e o guardou e lhe deu mais que o pão para comer e roupa para vestir. Deu-lhe riqueza, como veremos adiante. Então, quando os seus descendentes recebessem a terra, ficariam obrigados e entregar o dízimo do que Deus lhes concedera. Se iam herdar a bênção prometida a seu pai, deveriam herdar também a obrigação contraída por ele naquele pacto; pois foi justamente a terra que Deus prometera dar a Jacó, que foi dada aos seus descendentes.
Quando li isso, caiu a ficha. Ah-ah, acho que aí está o segredo do dízimo! Fiquei convencido de que foi por causa desse voto espontâneo de Jacó, feito diante da promessa de Deus, que os seus descendentes ficaram obrigados a entregar a Jeová todas as dízimas da terra (de Canaã), tanto do grão do campo, como do fruto das árvores, do gado e do rebanho, quando entrassem na posse dessa terra prometida [Levítico 27].
Se você assinalou com o lápis vermelho todos os textos que falam na terra que seria dada a esse povo, já deve ter percebido que todo trato de Deus com Abraão, Isaque, Jacó e seus descendentes gira em torno dessa promessa. Ou seja, sempre envolvendo a posse da terra de Canaã. Continue lendo e marcando.
Agora, vou lhe contar um segredinho: li e reli o Velho Testamento, e o Novo Testamento também, com redobrada atenção, em busca da verdade, mas procurando especificamente uma coisa: pelo menos uma menção do dízimo em dinheiro. E nada encontrei. Nem tampouco a obrigação de um aguadeiro, carpinteiro, comerciante, copeiro, empregado, empresário, ferreiro, médico, padeiro, pedreiro, soldado, tecelão ou de qualquer outro profissional daqueles tempos de pagar/dar/entregar o dízimo do seu salário ou do seu rendimento. O dízimo somente incidia sobre os frutos ou produtos da terra da promessa, que os israelitas herdaram, ou seja, a terra de Canaã. E não pense que naqueles tempos idos não houvesse pagamentos em dinheiro de salários e indenizações. Havia sim. Veja estas menções em Êxodo 21 e Levítico 19.
Opa, parece que eu me contradisse! Lá em cima eu falei em dinheiro do dízimo, naquela pergunta importuna, não foi? Agora estou dizendo que não havia dízimo em dinheiro! Ah, mas eu explico. Que eu saiba, em duas ocasiões, o dízimo podia ser transformado em dinheiro.
Uma: Quando o dizimista quisesse resgatar alguma coisa. Ou seja, em vez de entregar a coisa dizimada, propriamente dita, ele a substituía por dinheiro. Nesse caso, havia uma pena: ele tinha de acrescentar 20% ao preço dela, isto é, um quinto do seu valor [Levítico 27]! Imagine o fato: O judeu — descendente de Jacó — recebeu a posse da terra prometida, plantou, colheu, separou o dízimo, mas quer ficar com uma dessas coisas do dízimo. Tudo bem, pode. O sacerdote avalia esse bem, o dizimista acrescenta 20% sobre o valor dele e entrega o dinheiro. É como se ele estivesse comprando a mesma coisa que ele tinha consagrado como dízimo, com um ágio de 20%, ou um quinto. Compreendeu? Não se tratava de dízimo do dinheiro recebido a título de salário ou lucro.
Duas: Quando ele estivesse longe do lugar que Jeová iria determinar para o culto e para a entrega dos dízimos e das ofertas, e fosse custoso transportar para lá o dízimo consistente em cereal, vinho, azeite, gado. Então o dizimista podia vender tudo (inclusive os primogênitos dos animais, que pertenciam a Jeová), e converter tudo isso em dinheiro, comparecer ao templo e lá comprar o que quisesse para substituir o que ele havia vendido [Deuteronômio 14]. Nesse caso, ele não tinha de acrescentar os 20%. Deu para notar que ele não entregava dízimo em dinheiro a ninguém?
Mas há muita gente perita em ajeitar as coisas e deixá-las do jeitinho que quer ou do jeitinho que lhe seja mais conveniente. Por exemplo. Sobre essa história de Jacó, não faz muito tempo, ouvi um pregador dizer que, na volta de Padã-Arã, Jacó pagou o dízimo a Esaú! Esse pregador conseguiu tirar essa mirabolante idéia do fato de Jacó, ameaçado de morte e tremendo de medo, ter dado um baita presente a Esaú, para aplacar o ódio desse seu irmão, a quem ele enganara usurpando-lhe a bênção da primogenitura [Gênesis 27, 32].
Leia com atenção o recado que Jacó mandou a Esaú:
Assim falareis a meu senhor Esaú: Teu servo Jacó manda dizer isto: ... Tenho bois, jumentos, rebanhos, servos e servas; mando comunicá-lo a meu senhor, para lograr mercê à sua presença. ...Então Jacó teve medo e se perturbou; ...E orou Jacó: Deus de meu pai Abraão, e Deus de meu pai Isaque... Livra-me das mãos de meu irmão Esaú, porque o temo... E, tendo passado ali aquela noite, separou do que tinha um presente para seu irmão Esaú: duzentas cabras e vinte bodes; duzentas ovelhas e vinte carneiros; trinta camelas de leite com suas crias; quarenta vacas e dez touros; vinte jumentas e dez jumentinhos.
Calculou o tamanho do presentão que Esaú recebeu? Eu somei e encontrei 580 cabeças de animais. Em vinte anos como fazendeiro, eu não consegui juntar nem a metade disso!
Seria muito se eu lhe pedisse para refletir nesse relato e responder com toda sinceridade a mais uma perguntinha? Você consegue ver aí um dizimista entregando, dando ou pagando o dízimo? [ ] Sim [ ] Não
Quando li isso, caiu a ficha. Ah-ah, acho que aí está o segredo do dízimo! Fiquei convencido de que foi por causa desse voto espontâneo de Jacó, feito diante da promessa de Deus, que os seus descendentes ficaram obrigados a entregar a Jeová todas as dízimas da terra (de Canaã), tanto do grão do campo, como do fruto das árvores, do gado e do rebanho, quando entrassem na posse dessa terra prometida [Levítico 27].
Se você assinalou com o lápis vermelho todos os textos que falam na terra que seria dada a esse povo, já deve ter percebido que todo trato de Deus com Abraão, Isaque, Jacó e seus descendentes gira em torno dessa promessa. Ou seja, sempre envolvendo a posse da terra de Canaã. Continue lendo e marcando.
Agora, vou lhe contar um segredinho: li e reli o Velho Testamento, e o Novo Testamento também, com redobrada atenção, em busca da verdade, mas procurando especificamente uma coisa: pelo menos uma menção do dízimo em dinheiro. E nada encontrei. Nem tampouco a obrigação de um aguadeiro, carpinteiro, comerciante, copeiro, empregado, empresário, ferreiro, médico, padeiro, pedreiro, soldado, tecelão ou de qualquer outro profissional daqueles tempos de pagar/dar/entregar o dízimo do seu salário ou do seu rendimento. O dízimo somente incidia sobre os frutos ou produtos da terra da promessa, que os israelitas herdaram, ou seja, a terra de Canaã. E não pense que naqueles tempos idos não houvesse pagamentos em dinheiro de salários e indenizações. Havia sim. Veja estas menções em Êxodo 21 e Levítico 19.
Opa, parece que eu me contradisse! Lá em cima eu falei em dinheiro do dízimo, naquela pergunta importuna, não foi? Agora estou dizendo que não havia dízimo em dinheiro! Ah, mas eu explico. Que eu saiba, em duas ocasiões, o dízimo podia ser transformado em dinheiro.
Uma: Quando o dizimista quisesse resgatar alguma coisa. Ou seja, em vez de entregar a coisa dizimada, propriamente dita, ele a substituía por dinheiro. Nesse caso, havia uma pena: ele tinha de acrescentar 20% ao preço dela, isto é, um quinto do seu valor [Levítico 27]! Imagine o fato: O judeu — descendente de Jacó — recebeu a posse da terra prometida, plantou, colheu, separou o dízimo, mas quer ficar com uma dessas coisas do dízimo. Tudo bem, pode. O sacerdote avalia esse bem, o dizimista acrescenta 20% sobre o valor dele e entrega o dinheiro. É como se ele estivesse comprando a mesma coisa que ele tinha consagrado como dízimo, com um ágio de 20%, ou um quinto. Compreendeu? Não se tratava de dízimo do dinheiro recebido a título de salário ou lucro.
Duas: Quando ele estivesse longe do lugar que Jeová iria determinar para o culto e para a entrega dos dízimos e das ofertas, e fosse custoso transportar para lá o dízimo consistente em cereal, vinho, azeite, gado. Então o dizimista podia vender tudo (inclusive os primogênitos dos animais, que pertenciam a Jeová), e converter tudo isso em dinheiro, comparecer ao templo e lá comprar o que quisesse para substituir o que ele havia vendido [Deuteronômio 14]. Nesse caso, ele não tinha de acrescentar os 20%. Deu para notar que ele não entregava dízimo em dinheiro a ninguém?
Mas há muita gente perita em ajeitar as coisas e deixá-las do jeitinho que quer ou do jeitinho que lhe seja mais conveniente. Por exemplo. Sobre essa história de Jacó, não faz muito tempo, ouvi um pregador dizer que, na volta de Padã-Arã, Jacó pagou o dízimo a Esaú! Esse pregador conseguiu tirar essa mirabolante idéia do fato de Jacó, ameaçado de morte e tremendo de medo, ter dado um baita presente a Esaú, para aplacar o ódio desse seu irmão, a quem ele enganara usurpando-lhe a bênção da primogenitura [Gênesis 27, 32].
Leia com atenção o recado que Jacó mandou a Esaú:
Assim falareis a meu senhor Esaú: Teu servo Jacó manda dizer isto: ... Tenho bois, jumentos, rebanhos, servos e servas; mando comunicá-lo a meu senhor, para lograr mercê à sua presença. ...Então Jacó teve medo e se perturbou; ...E orou Jacó: Deus de meu pai Abraão, e Deus de meu pai Isaque... Livra-me das mãos de meu irmão Esaú, porque o temo... E, tendo passado ali aquela noite, separou do que tinha um presente para seu irmão Esaú: duzentas cabras e vinte bodes; duzentas ovelhas e vinte carneiros; trinta camelas de leite com suas crias; quarenta vacas e dez touros; vinte jumentas e dez jumentinhos.
Calculou o tamanho do presentão que Esaú recebeu? Eu somei e encontrei 580 cabeças de animais. Em vinte anos como fazendeiro, eu não consegui juntar nem a metade disso!
Seria muito se eu lhe pedisse para refletir nesse relato e responder com toda sinceridade a mais uma perguntinha? Você consegue ver aí um dizimista entregando, dando ou pagando o dízimo? [ ] Sim [ ] Não
O mandamento do dízimo
Acredito que ficou claro que a primeira menção bíblica ao dízimo foi aquela relacionada a Abraão; e a segunda, aquela relacionada ao voto de Jacó. Mas o primeiro mandamento bíblico do dízimo — que a rigor nem pode ser chamado de mandamento — só aparece em Levítico 27. Preste atenção nisto: quando eu digo que não pode ser chamado de mandamento, é porque Moisés está simplesmente comunicando um fato ao povo, nestes termos: Também todas as dízimas da terra (não se esqueça leitor, terra aqui se refere à terra de Canaã), tanto do grão do campo, como do fruto das árvores, são do Senhor: santas são ao Senhor. ...No tocante às dízimas do gado e do rebanho, de tudo o que passar debaixo da vara do pastor, o dízimo será santo ao Senhor. É como se Moisés estivesse dizendo: O Senhor vai lhes dar a posse da terra de Canaã, mas as dízimas, não! Estas pertencem a ele! E em seguida, o livro de Levítico é encerrado com estas solenes palavras: São estes os mandamentos que o Senhor ordenou a Moisés, para os filhos de Israel, no monte Sinai. (Para os filhos de Israel, e não para a Igreja, viu?). Como diria um ex-árbitro e hoje comentarista de futebol: A regra é clara!
Tudo o que vem depois, relacionado ao dízimo, são as instruções do que fazer com ele: Quando dizimar, o quê dizimar, onde entregar e comer o dízimo, quem pode ou não pode comê-lo, como distribuí-lo.
Agora vamos raciocinar: Se esse mandamento do dízimo no capítulo 27 de Levítico é também para a Igreja, parece-me lógico concluir que tudo que foi ordenado nos capítulos anteriores também deve ser. Há pregadores que doutrinam seus seguidores a não comerem certos animais, porque são imundos ou impuros (os animais, não os seguidores!), com base nos preceitos do capítulo 11; mas nada ensinam sobre a purificação da mulher após o parto, como está disciplinado no capítulo 12. Todavia esse ritual de purificação estava também em vigência nos dias do Senhor Jesus, tanto que sua mãe, Maria, o praticou [Lucas 2]. E nadica de nada ensinam sobre o trato com a lepra e o leproso, que é ordenado nos capítulos 13 e 14. Também esse preceito estava em vigor nos dias do Senhor Jesus; tanto que após curar um leproso, mandava que ele fosse mostrar-se ao sacerdote e fazer a oferta que Moisés ordenara, para servir de testemunho ao povo [Mateus 8; Marcos 1; Lucas 5, 17]. E lepra e leproso existem até hoje, em menor escala, é bem verdade. Observou? Tira-se um ensino do capítulo 11, pulam-se os demais capítulos e lança-se mão do capítulo 27. Ou então, tira-se um ensino do capítulo 27, e desprezam-se os demais. Por que será? Será porque o dízimo traz vantagens pecuniárias imediatas para o próprio pregador?
A próxima menção ao dízimo está em Números 18, e tem também apenas caráter comunicante. Veja:
Aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por herança, pelo serviço que prestam, serviço da tenda da congregação. (Em Israel, e não na Igreja, viu?). E nunca mais os filhos de Israel se chegarão à tenda da congregação, para que não levem sobre si o pecado e morram. Mas os levitas farão o serviço da tenda da congregação, e responderão por suas faltas: estatuto perpétuo é este para todas as vossas gerações. Porque os dízimos dos filhos de Israel, que apresentam ao Senhor em oferta, dei-os por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão.
No próximo item, vamos descobrir porque os filhos de Levi (os levitas) foram escolhidos, e descobrir também porque o dízimo foi dado a eles.
Tudo o que vem depois, relacionado ao dízimo, são as instruções do que fazer com ele: Quando dizimar, o quê dizimar, onde entregar e comer o dízimo, quem pode ou não pode comê-lo, como distribuí-lo.
Agora vamos raciocinar: Se esse mandamento do dízimo no capítulo 27 de Levítico é também para a Igreja, parece-me lógico concluir que tudo que foi ordenado nos capítulos anteriores também deve ser. Há pregadores que doutrinam seus seguidores a não comerem certos animais, porque são imundos ou impuros (os animais, não os seguidores!), com base nos preceitos do capítulo 11; mas nada ensinam sobre a purificação da mulher após o parto, como está disciplinado no capítulo 12. Todavia esse ritual de purificação estava também em vigência nos dias do Senhor Jesus, tanto que sua mãe, Maria, o praticou [Lucas 2]. E nadica de nada ensinam sobre o trato com a lepra e o leproso, que é ordenado nos capítulos 13 e 14. Também esse preceito estava em vigor nos dias do Senhor Jesus; tanto que após curar um leproso, mandava que ele fosse mostrar-se ao sacerdote e fazer a oferta que Moisés ordenara, para servir de testemunho ao povo [Mateus 8; Marcos 1; Lucas 5, 17]. E lepra e leproso existem até hoje, em menor escala, é bem verdade. Observou? Tira-se um ensino do capítulo 11, pulam-se os demais capítulos e lança-se mão do capítulo 27. Ou então, tira-se um ensino do capítulo 27, e desprezam-se os demais. Por que será? Será porque o dízimo traz vantagens pecuniárias imediatas para o próprio pregador?
A próxima menção ao dízimo está em Números 18, e tem também apenas caráter comunicante. Veja:
Aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por herança, pelo serviço que prestam, serviço da tenda da congregação. (Em Israel, e não na Igreja, viu?). E nunca mais os filhos de Israel se chegarão à tenda da congregação, para que não levem sobre si o pecado e morram. Mas os levitas farão o serviço da tenda da congregação, e responderão por suas faltas: estatuto perpétuo é este para todas as vossas gerações. Porque os dízimos dos filhos de Israel, que apresentam ao Senhor em oferta, dei-os por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão.
No próximo item, vamos descobrir porque os filhos de Levi (os levitas) foram escolhidos, e descobrir também porque o dízimo foi dado a eles.
Os Levitas
Por que Deus escolheu os levitas? Antes de buscar a resposta, esclareço: Levitas eram os descendentes de Levi, terceiro filho de Jacó e Lia. Nessa busca vislumbrei três possíveis respostas. Uma. Foi puramente por sua vontade e soberania. Afinal, como Senhor de tudo e de todos, ele escolhe quem ele quer. Duas. Foi uma homenagem prestada aos ousados levitas, Moisés e Arão, que enfrentaram a corte e os deuses egípcios [Êxodo 5, 12], para libertar o povo hebreu. Três. Foi porque os levitas eram bons de briga [Gênesis 34; Êxodo 32], e ganharam esse privilégio no fio da espada. Fico com essa última.
Vamos aos fatos. O povo estava no sopé do fumegante monte Sinai, e Moisés, lá em cima. Demorando Moisés a descer, aquele povo ficou desvalido, confuso, indefeso e temeroso — como crianças abandonadas no meio do nada —, desesperou-se e resolveu fazer um deusinho para si, que pudesse socorrê-lo em caso de perigo. (Não vemos por aí, em pleno século vinte e um, todo dia, gente muito religiosa, muito evangelizada, mas sem o conhecimento da plena verdade evangélica, se agarrando também a uma imagem, a um crucifixo, a um rosário, a uma medalhinha, a um pé de coelho, a um ramo de arruda, a um pouco de terra do Sinai, ao sal grosso, à água do Jordão, a uma rosa branca ou amarela, ou a um manto, para socorrê-la na hora do perigo?). Pegaram então o ouro das orelhas das mulheres, dos filhos (desde aquele tempo os rapazes já gostavam de usar brinquinho), e das filhas, entregaram a Arão e ele fez um bezerro. No dia seguinte, o povo madrugou para o culto, assentou-se para comer e beber, e se levantou para se divertir — e de tamborins na mão, tocou a dançar. Moisés ficou sabendo e desceu depressa com as duas tábuas do testemunho, ou seja, com os dez mandamentos, que Deus acabara de escrever com o seu dedo. E seu secretário particular, Josué, disse para ele: Há alarido de guerra no arraial. E Moisés replicou: Que nada, é alarido de festa. E quando viu aquele deusinho de ouro, ficou possuído de ira santa e arrojou das mãos as tábuas e quebrou-as ao pé do monte.
Em seguida, vendo Moisés a orgia e a perversão daquele povo, gritou: Quem é do Senhor venha até mim. Então se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi. E Moisés concitou-os: Consagrai-vos hoje ao Senhor: cada um contra o seu filho, e contra o seu irmão; para que ele vos conceda hoje uma bênção. Então os levitas mataram do povo naquele dia uns três mil homens, e conseguiram a bênção prometida por Moisés [Êxodo 32]. Que bênção seria essa?
Vamos à escolha. (Agora, já faz mais de um ano que Israel saiu do Egito). Eis que tenho tomado os levitas do meio dos filhos de Israel, em lugar de todo primogênito, que abre a madre, entre os filhos de Israel: e os levitas serão meus [Números 3]. E Deus fez uma permuta com Israel: deu os primogênitos, que ele havia consagrado a si (22.273) [Êxodo 13] em troca dos levitas (22.000). E como havia mais primogênitos do que levitas, os israelitas tiveram que dar o troco em dinheiro. Feitos os cálculos, pagaram 1.365 siclos [Números 3]. Os levitas ganharam essa bênção, mas perderam outra: não receberiam herança na terra de Canaã; a sua herança seria o Senhor [Deuteronômio 18]. Mas em compensação receberiam os dízimos das lavouras e do gado do restante do povo [Números 18]. E como era muito dízimo, podia ser distribuído aos órfãos, às viúvas e até aos estrangeiros, pelos próprios dizimistas, como veremos nos itens seguintes.
Um esclarecimento. Se os levitas não iam receber herança na terra de Canaã, onde morariam?
Bem, seriam destinadas a eles quarenta e oito cidades, das quais 6 seriam cidades de refúgio, para acolhimento do homicida que matasse alguém involuntariamente [Números 34]. As demais tribos teriam que lhes fazer essa doação, proporcional ao número de cidades que tocasse a cada uma delas. Além disso, os arredores dessas cidades, de mil côvados ao redor, seriam para o gado, para os rebanhos e para todos os animais dos levitas. Isso significava que os levitas tinham ao redor de cada cidade uma grande área de terra para o gado, para os rebanhos e para todos os seus animais [Números 35].
Não faz muito tempo, surgiu uma onda, que invadiu os arraiais evangélicos; não tão avassaladora quanto a tsunami, mas que poderia se tornar bastante ameaçadora. Refiro-me à onda dos levitas. Levita pra cá, levita pra lá; e parece que com o apoio de muitos pastores. E eu fiquei na minha, esperando para ver em que isso ia dar. Até uma de minhas filhas chegou a me dizer que era levita. Devia estar levitando! Expliquei-lhe que isso não era possível, e mostrei-lhe na Bíblia, que essa pretensão era inadmissível. Primeiro, porque ela não descendia de Levi. O ofício atribuído aos levitas era exclusivo deles. Segundo, porque, mesmo que ela fosse descendente de Levi, não cabia às mulheres exercerem o ofício atribuído aos levitas. Terceiro, porque na Igreja do Senhor Jesus não existe lugar para o ofício atribuído aos levitas. De fato, no concerto do Sinai, a proposta de Deus era de que Israel seria um reino de sacerdotes [Êxodo 19]. Mas por causa da prevaricação do povo no episódio do bezerro de ouro, enquanto os Levitas ganhavam uma bênção, Israel perdeu a sua, e nunca mais os filhos de Israel chegariam à tenda da congregação. Isso se tornara agora obrigação e privilégio exclusivo dos levitas, e somente para os do sexo masculino [Números 1, 3, 18]. Ora, se os dízimos eram dos levitas... então os levitas é que deveriam receber os dízimos. Logo, logo encontrei alguma coisa na Internet nesse sentido. Havia levitas começando a reivindicar os seus direitos. Ultimamente, parece que a onda se arrefeceu. Não é muito conveniente para o clero essa história de levitas modernos reivindicarem os dízimos. E é bom que se saiba que os levitas não somente serviam no templo como ajudantes dos sacerdotes, e no tempo do rei Salomão, como cantores, mas também serviram como guardas, no reinado de Joás. E não era de brincadeira não. Veja essas instruções que lhes foram dadas pelo sacerdote Joiada: Esta é a obra que haveis de fazer: uma terça parte de vós sacerdotes e levitas, que entrais no sábado, servirá de guardas da porta;... Porém ninguém entre na casa do Senhor, senão os sacerdotes e os levitas que ministram; mas todo o povo guardará o preceito do senhor. Os levitas rodearão o rei, cada um de armas na mão, e qualquer que entrar na casa, seja morto; estareis com o rei quando entrar e quando sair [II Crônicas 23].
Hoje não precisamos mais de levitas. Estão dispensados. O seu ofício cessou. O véu do templo se rasgou de alto a baixo [Mateus 27], e cada crente pode chegar agora com confiança junto ao trono da graça, a fim de receber misericórdia e achar graça para socorro em ocasião oportuna [Hebreus 4], pois somos raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus... , como nos assegura o apóstolo Pedro [I Pedro 2].
Ora, se o dízimo foi dado aos levitas, e a Igreja não tem levitas, não há nem mais a quem entregar os 2% que lhes tocariam. Qualquer outra explicação que se dê a isso é balela, arranjo, invencionice. Não tem fundamento bíblico, e, portanto, não tem valor!
Vamos aos fatos. O povo estava no sopé do fumegante monte Sinai, e Moisés, lá em cima. Demorando Moisés a descer, aquele povo ficou desvalido, confuso, indefeso e temeroso — como crianças abandonadas no meio do nada —, desesperou-se e resolveu fazer um deusinho para si, que pudesse socorrê-lo em caso de perigo. (Não vemos por aí, em pleno século vinte e um, todo dia, gente muito religiosa, muito evangelizada, mas sem o conhecimento da plena verdade evangélica, se agarrando também a uma imagem, a um crucifixo, a um rosário, a uma medalhinha, a um pé de coelho, a um ramo de arruda, a um pouco de terra do Sinai, ao sal grosso, à água do Jordão, a uma rosa branca ou amarela, ou a um manto, para socorrê-la na hora do perigo?). Pegaram então o ouro das orelhas das mulheres, dos filhos (desde aquele tempo os rapazes já gostavam de usar brinquinho), e das filhas, entregaram a Arão e ele fez um bezerro. No dia seguinte, o povo madrugou para o culto, assentou-se para comer e beber, e se levantou para se divertir — e de tamborins na mão, tocou a dançar. Moisés ficou sabendo e desceu depressa com as duas tábuas do testemunho, ou seja, com os dez mandamentos, que Deus acabara de escrever com o seu dedo. E seu secretário particular, Josué, disse para ele: Há alarido de guerra no arraial. E Moisés replicou: Que nada, é alarido de festa. E quando viu aquele deusinho de ouro, ficou possuído de ira santa e arrojou das mãos as tábuas e quebrou-as ao pé do monte.
Em seguida, vendo Moisés a orgia e a perversão daquele povo, gritou: Quem é do Senhor venha até mim. Então se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi. E Moisés concitou-os: Consagrai-vos hoje ao Senhor: cada um contra o seu filho, e contra o seu irmão; para que ele vos conceda hoje uma bênção. Então os levitas mataram do povo naquele dia uns três mil homens, e conseguiram a bênção prometida por Moisés [Êxodo 32]. Que bênção seria essa?
Vamos à escolha. (Agora, já faz mais de um ano que Israel saiu do Egito). Eis que tenho tomado os levitas do meio dos filhos de Israel, em lugar de todo primogênito, que abre a madre, entre os filhos de Israel: e os levitas serão meus [Números 3]. E Deus fez uma permuta com Israel: deu os primogênitos, que ele havia consagrado a si (22.273) [Êxodo 13] em troca dos levitas (22.000). E como havia mais primogênitos do que levitas, os israelitas tiveram que dar o troco em dinheiro. Feitos os cálculos, pagaram 1.365 siclos [Números 3]. Os levitas ganharam essa bênção, mas perderam outra: não receberiam herança na terra de Canaã; a sua herança seria o Senhor [Deuteronômio 18]. Mas em compensação receberiam os dízimos das lavouras e do gado do restante do povo [Números 18]. E como era muito dízimo, podia ser distribuído aos órfãos, às viúvas e até aos estrangeiros, pelos próprios dizimistas, como veremos nos itens seguintes.
Um esclarecimento. Se os levitas não iam receber herança na terra de Canaã, onde morariam?
Bem, seriam destinadas a eles quarenta e oito cidades, das quais 6 seriam cidades de refúgio, para acolhimento do homicida que matasse alguém involuntariamente [Números 34]. As demais tribos teriam que lhes fazer essa doação, proporcional ao número de cidades que tocasse a cada uma delas. Além disso, os arredores dessas cidades, de mil côvados ao redor, seriam para o gado, para os rebanhos e para todos os animais dos levitas. Isso significava que os levitas tinham ao redor de cada cidade uma grande área de terra para o gado, para os rebanhos e para todos os seus animais [Números 35].
Não faz muito tempo, surgiu uma onda, que invadiu os arraiais evangélicos; não tão avassaladora quanto a tsunami, mas que poderia se tornar bastante ameaçadora. Refiro-me à onda dos levitas. Levita pra cá, levita pra lá; e parece que com o apoio de muitos pastores. E eu fiquei na minha, esperando para ver em que isso ia dar. Até uma de minhas filhas chegou a me dizer que era levita. Devia estar levitando! Expliquei-lhe que isso não era possível, e mostrei-lhe na Bíblia, que essa pretensão era inadmissível. Primeiro, porque ela não descendia de Levi. O ofício atribuído aos levitas era exclusivo deles. Segundo, porque, mesmo que ela fosse descendente de Levi, não cabia às mulheres exercerem o ofício atribuído aos levitas. Terceiro, porque na Igreja do Senhor Jesus não existe lugar para o ofício atribuído aos levitas. De fato, no concerto do Sinai, a proposta de Deus era de que Israel seria um reino de sacerdotes [Êxodo 19]. Mas por causa da prevaricação do povo no episódio do bezerro de ouro, enquanto os Levitas ganhavam uma bênção, Israel perdeu a sua, e nunca mais os filhos de Israel chegariam à tenda da congregação. Isso se tornara agora obrigação e privilégio exclusivo dos levitas, e somente para os do sexo masculino [Números 1, 3, 18]. Ora, se os dízimos eram dos levitas... então os levitas é que deveriam receber os dízimos. Logo, logo encontrei alguma coisa na Internet nesse sentido. Havia levitas começando a reivindicar os seus direitos. Ultimamente, parece que a onda se arrefeceu. Não é muito conveniente para o clero essa história de levitas modernos reivindicarem os dízimos. E é bom que se saiba que os levitas não somente serviam no templo como ajudantes dos sacerdotes, e no tempo do rei Salomão, como cantores, mas também serviram como guardas, no reinado de Joás. E não era de brincadeira não. Veja essas instruções que lhes foram dadas pelo sacerdote Joiada: Esta é a obra que haveis de fazer: uma terça parte de vós sacerdotes e levitas, que entrais no sábado, servirá de guardas da porta;... Porém ninguém entre na casa do Senhor, senão os sacerdotes e os levitas que ministram; mas todo o povo guardará o preceito do senhor. Os levitas rodearão o rei, cada um de armas na mão, e qualquer que entrar na casa, seja morto; estareis com o rei quando entrar e quando sair [II Crônicas 23].
Hoje não precisamos mais de levitas. Estão dispensados. O seu ofício cessou. O véu do templo se rasgou de alto a baixo [Mateus 27], e cada crente pode chegar agora com confiança junto ao trono da graça, a fim de receber misericórdia e achar graça para socorro em ocasião oportuna [Hebreus 4], pois somos raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus... , como nos assegura o apóstolo Pedro [I Pedro 2].
Ora, se o dízimo foi dado aos levitas, e a Igreja não tem levitas, não há nem mais a quem entregar os 2% que lhes tocariam. Qualquer outra explicação que se dê a isso é balela, arranjo, invencionice. Não tem fundamento bíblico, e, portanto, não tem valor!
Quando, o quê, onde, quem, como?
Pedi que você marcasse os textos bíblicos que contivessem a expressão: Quando o Senhor teu Deus te introduzir na terra... e outras equivalentes. Se você o fez, deve ter notado a quantidade de vezes que isso é repetido, especialmente em Deuteronômio. Se olharmos do ponto de vista jurídico, Deuteronômio pode ser considerado como a regulamentação da lei; ou, como diz o próprio livro, a explicação da lei [capítulo 1º]. Para facilitar a leitura e a compreensão, algumas edições da Bíblia dividem esse livro em quatro discursos. Se a sua Bíblia é dessas, você vai encontrar Arremedando aqui um bom repórter, vamos lançar mão dessas clássicas e práticas perguntas jornalísticas e fazer nossa reportagem sobre o dízimo, procurando respondê-las uma a uma.
No item sobre a ordenança do dízimo, eu disse que tudo o que vinha depois eram as instruções do que fazer com ele: quando dizimar, o quê dizimar, onde entregar e comer o dízimo, quem podia ou não comê-lo, como distribuí-lo.
Quando?
O primeiro discurso de Moisés nos capítulos 1º ao 4º; o segundo discurso, nos capítulos 4º ao 26; o terceiro discurso nos capítulos 27 e 28; e o quarto discurso, nos capítulos 29 a 33. No primeiro discurso, Moisés conta a história de Israel, porque muitos daquela geração saíram crianças do Egito, outros nasceram no deserto e não sabiam de muitos fatos que haviam acontecido. No segundo discurso, Moisés conta a história da legislação, repetindo os dez mandamentos e outras leis, e explica como deveriam ser observados. No terceiro discurso, Moisés e os anciãos deram ordem ao povo para guardar os mandamentos quando passassem o Jordão, sob pena de ficarem sujeitos às maldições, solenemente proclamadas no monte Ebal. Já no quarto discurso, Deus faz nova aliança com o povo, além da que fizera no monte Horebe (Sinai). Era exatamente quando entrassem na terra (o que ia acontecer em breve), que deveriam observar os preceitos, entre os quais estavam os relativos ao dízimo: São estes os estatutos e os juízos que cuidareis de cumprir na terra que vos deu o Senhor, Deus de vossos pais, para a possuirdes todos os dias que viverdes sobre a terra [Deuteronômio 12]. Essa condição é repetida dezenas de vezes no Deuteronômio.
O quê?
O quê os israelitas deveriam dizimar? A gleba de terra que cada família de sem terras recebesse não seria dizimada. Essa família não ia pegar um pedaço da terra recebida e entregar a quem devesse receber o dízimo: levitas, estrangeiro, órfãos e viúvas. Não encontrei nenhuma instrução sobre dizimar qualquer coisa que não fosse o fruto da terra e o rebanho. Como eu disse no item O Voto de Jacó, eu não encontrei nem no Velho Testamento nem no Novo nenhuma menção a dízimo de salários ou de outra fonte, que não fosse do fruto da terra (da terra de Canaã, bem entendido!) e do rebanho, que era criado sobre ela. Só há uma exceção. Os levitas deviam entregar aos sacerdotes (também descendentes de Levi) os dízimos dos dízimos que recebessem dos israelitas. O preceito é claro: Também todas as dízimas da terra (não se esqueça leitor — terra aqui se refere à terra de Canaã), tanto do grão do campo, como do fruto das árvores, são do Senhor: santas são ao Senhor. ...No tocante às dízimas do gado e do rebanho, de tudo o que passar debaixo da vara do pastor, o dízimo será santo ao Senhor [Levítico 27]. Não encontrei também a obrigação de dizimar imposta a quem não fosse detentor da posse da terra. Haja vista que o estrangeiro, que certamente trabalhava e tinha seus rendimentos, não estava sujeito a dizimar nada. Muito pelo contrário, era beneficiado pelo dízimo, pois o dizimista tinha a obrigação de lhe entregar parte do dízimo consagrado a Deus.
Onde?
Dentre os diversos preceitos relativos ao dízimo, havia aquele que determinava onde o dizimista deveria entregá-lo e comê-lo. Isso ficou expressamente esclarecido: Mas buscareis o lugar que o Senhor vosso Deus escolher de todas as vossas tribos, para lá pôr o seu nome, e sua habitação; e para lá ireis. A esse lugar fareis chegar os vossos... dízimos; Nas tuas cidades não poderás comer o dízimo do teu cereal, nem do teu vinho, nem do teu azeite...; Certamente darás os dízimos de todo o fruto das tuas sementes, que ano após ano se recolher do campo. E, perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu cereal, do teu vinho e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao Senhor teu Deus todos os dias. [Deuteronômio 12, 14]. Essas expressões são muito fortes: darás os dízimos... comerás os dízimos... para que aprendas a temer ao Senhor teu Deus... Veja que os levitas, o estrangeiro, o órfão e a viúva — beneficiários dos dízimos — podiam comê-los em qualquer lugar [Deuteronômio 26].
Tudo isso contraria o que o autor do texto lá de cima disse, e certamente o que muitos pregadores ensinam, inclusive o Autor do livrinho mencionado no Prefácio. Vemos, pois, que o dizimista não somente podia comer o dízimo e administrá-lo, mas tinha de fazê-lo. Ou seja, tinha de comê-lo e tinha a obrigação de administrá-lo também.
Quando sugeri que marcasse as frases que se referissem à terra de Canaã, é porque percebi na releitura que fizera da Bíblia, que o dízimo está intimamente vinculado à posse da terra. Os judeus somente estariam obrigados a dizimar, quando tivessem a posse da terra, e somente do fruto da terra, incluindo o rebanho. Na sua caminhada de quarenta anos pelo deserto, nada lhe foi exigido; mas quando entrasse na terra... Veja todas as referências que você marcou de vermelho e azul.
Quero lhe indicar um texto bem lá na frente, Neemias 10, muito esclarecedor do que acabo de afirmar: ...os dízimos da nossa terra aos levitas, pois a eles cumpre receber os dízimos em todas as cidades onde há lavoura.
Quem?
No capítulo 26, descobrimos que esse quem envolvia o dizimista e os que deveriam receber os dízimos: os levitas, o estrangeiro, os órfãos e as viúvas. Esses últimos, como já disse, estavam autorizados a comer o dízimo em todo lugar, e sem a necessidade de praticar o cerimonial de se purificar. O dizimista, não; somente podia comer o dízimo estando puro e no lugar predeterminado por Deus. [Números 18, Deuteronômio 26].
Uma perguntinha pertinente, mas perturbadora: Alguma vez você foi instruído a comer o dízimo, ou a distribuí-lo com o estrangeiro, com os órfãos ou com as viúvas, como está ordenado na Bíblia ao dizimista fazer? Se não, você está sendo enganado! Mostraram-lhe Malaquias 3, mas esconderam Deuteronômio 14 e 26. Ora, se em relação ao dízimo, Malaquias 3 é aplicável à Igreja, penso que Deuteronômio 14 e 26 também devem ser. Você não acha meu caro dizimista?
Como?
Ao dizimista competia levar o dízimo ao lugar escolhido por Deus, comê-lo e distribuí-lo. Mas como fazer? Para levar uma grande quantidade e a lugar distante, podia vendê-lo, transformando-o em dinheiro, e depois comprar outras coisas para pôr no lugar das que vendera. Isso também está disciplinado nos capítulos 14 e 26 de Deuteronômio.
Viu? Comer o dízimo não era nenhum ato de profanação de coisa sagrada, como alguns pregadores andam dizendo (e escrevendo) por aí. Muito pelo contrário. Era ato de estrita obediência ao preceito de Deus! Bom, aqui fica claro que ele podia e tinha de comer. Mas poderia administrá-lo? Vou transcrever mais um texto:
Quando acabares de separar todos os dízimos da tua messe no ano terceiro, que é o dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas cidades, e se fartem [Deuteronômio 26].
Viu? Nesse ano, o terceiro, o próprio dizimista distribuía o dízimo do que ele havia colhido, dando-o ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, nas cidades deles. Apenas a parte que tocara ao dizimista era levada ao lugar que Deus escolhera. A outra parte (80%) era distribuída pelo dizimista. Ele estava administrando, em obediência ao preceito de Deus.
Veja e compare o grau de sagração do dízimo e da páscoa. Observe que até o estrangeiro, não descendente de Jacó, tinha o direito de comer o dízimo, em qualquer lugar. Mas se quisesse comer a páscoa, tinha de observar primeiramente o ritual da circuncisão, pois do contrário não podia comê-la [Êxodo 12].
No tempo presente, já ouviu alguma vez o dizimista ser orientado a comer o dízimo? Eu sei que surgirão muitas explicações. Dirão alguns cobradores de dízimo: Na atualidade, o dizimista entrega o dízimo em dinheiro na igreja e se alimenta da palavra. Espiritualiza-se. Mas não é assim que está escrito. Na Bíblia, o dizimista comia literalmente o dízimo, digeria o dízimo comido e, desculpe a franqueza, defecava o dízimo que comera e digerira! Não se tratava de palavras ou de ensinamentos recebidos. Era comida mesmo: produtos da terra e animais! Como diríamos hoje: arroz, feijão e carne!
Havia uma restrição: o dizimista não podia comer o dízimo em casa, somente no lugar determinado por Deus, ou seja, no templo, no lugar de adoração [Deuteronômio 12]. O levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva podiam comê-lo na sua cidade [Deuteronômio 26]. Sabe por que o dizimista não podia comer o dízimo em casa ou em sua cidade, ou em outro lugar que não no templo? Porque o seu dízimo fazia parte do culto, e o culto doméstico era proibido, para não haver confusão com o culto prestado aos deuses dos pagãos, tão abundantes naqueles tempos [Deuteronômio 12].
Bom, os levitas foram dados aos sacerdotes, para servi-los [Números 3, I Samuel 2, I Crônicas 23]. Os sacerdotes não recebiam dízimos diretamente do dizimista. Recebiam o dízimo dos dízimos dos levitas. Não do estrangeiro, nem dos órfãos, nem das viúvas, pois esses não tinham obrigação de dizimar [Números 18, Neemias 10].
No item sobre a ordenança do dízimo, eu disse que tudo o que vinha depois eram as instruções do que fazer com ele: quando dizimar, o quê dizimar, onde entregar e comer o dízimo, quem podia ou não comê-lo, como distribuí-lo.
Quando?
O primeiro discurso de Moisés nos capítulos 1º ao 4º; o segundo discurso, nos capítulos 4º ao 26; o terceiro discurso nos capítulos 27 e 28; e o quarto discurso, nos capítulos 29 a 33. No primeiro discurso, Moisés conta a história de Israel, porque muitos daquela geração saíram crianças do Egito, outros nasceram no deserto e não sabiam de muitos fatos que haviam acontecido. No segundo discurso, Moisés conta a história da legislação, repetindo os dez mandamentos e outras leis, e explica como deveriam ser observados. No terceiro discurso, Moisés e os anciãos deram ordem ao povo para guardar os mandamentos quando passassem o Jordão, sob pena de ficarem sujeitos às maldições, solenemente proclamadas no monte Ebal. Já no quarto discurso, Deus faz nova aliança com o povo, além da que fizera no monte Horebe (Sinai). Era exatamente quando entrassem na terra (o que ia acontecer em breve), que deveriam observar os preceitos, entre os quais estavam os relativos ao dízimo: São estes os estatutos e os juízos que cuidareis de cumprir na terra que vos deu o Senhor, Deus de vossos pais, para a possuirdes todos os dias que viverdes sobre a terra [Deuteronômio 12]. Essa condição é repetida dezenas de vezes no Deuteronômio.
O quê?
O quê os israelitas deveriam dizimar? A gleba de terra que cada família de sem terras recebesse não seria dizimada. Essa família não ia pegar um pedaço da terra recebida e entregar a quem devesse receber o dízimo: levitas, estrangeiro, órfãos e viúvas. Não encontrei nenhuma instrução sobre dizimar qualquer coisa que não fosse o fruto da terra e o rebanho. Como eu disse no item O Voto de Jacó, eu não encontrei nem no Velho Testamento nem no Novo nenhuma menção a dízimo de salários ou de outra fonte, que não fosse do fruto da terra (da terra de Canaã, bem entendido!) e do rebanho, que era criado sobre ela. Só há uma exceção. Os levitas deviam entregar aos sacerdotes (também descendentes de Levi) os dízimos dos dízimos que recebessem dos israelitas. O preceito é claro: Também todas as dízimas da terra (não se esqueça leitor — terra aqui se refere à terra de Canaã), tanto do grão do campo, como do fruto das árvores, são do Senhor: santas são ao Senhor. ...No tocante às dízimas do gado e do rebanho, de tudo o que passar debaixo da vara do pastor, o dízimo será santo ao Senhor [Levítico 27]. Não encontrei também a obrigação de dizimar imposta a quem não fosse detentor da posse da terra. Haja vista que o estrangeiro, que certamente trabalhava e tinha seus rendimentos, não estava sujeito a dizimar nada. Muito pelo contrário, era beneficiado pelo dízimo, pois o dizimista tinha a obrigação de lhe entregar parte do dízimo consagrado a Deus.
Onde?
Dentre os diversos preceitos relativos ao dízimo, havia aquele que determinava onde o dizimista deveria entregá-lo e comê-lo. Isso ficou expressamente esclarecido: Mas buscareis o lugar que o Senhor vosso Deus escolher de todas as vossas tribos, para lá pôr o seu nome, e sua habitação; e para lá ireis. A esse lugar fareis chegar os vossos... dízimos; Nas tuas cidades não poderás comer o dízimo do teu cereal, nem do teu vinho, nem do teu azeite...; Certamente darás os dízimos de todo o fruto das tuas sementes, que ano após ano se recolher do campo. E, perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu cereal, do teu vinho e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao Senhor teu Deus todos os dias. [Deuteronômio 12, 14]. Essas expressões são muito fortes: darás os dízimos... comerás os dízimos... para que aprendas a temer ao Senhor teu Deus... Veja que os levitas, o estrangeiro, o órfão e a viúva — beneficiários dos dízimos — podiam comê-los em qualquer lugar [Deuteronômio 26].
Tudo isso contraria o que o autor do texto lá de cima disse, e certamente o que muitos pregadores ensinam, inclusive o Autor do livrinho mencionado no Prefácio. Vemos, pois, que o dizimista não somente podia comer o dízimo e administrá-lo, mas tinha de fazê-lo. Ou seja, tinha de comê-lo e tinha a obrigação de administrá-lo também.
Quando sugeri que marcasse as frases que se referissem à terra de Canaã, é porque percebi na releitura que fizera da Bíblia, que o dízimo está intimamente vinculado à posse da terra. Os judeus somente estariam obrigados a dizimar, quando tivessem a posse da terra, e somente do fruto da terra, incluindo o rebanho. Na sua caminhada de quarenta anos pelo deserto, nada lhe foi exigido; mas quando entrasse na terra... Veja todas as referências que você marcou de vermelho e azul.
Quero lhe indicar um texto bem lá na frente, Neemias 10, muito esclarecedor do que acabo de afirmar: ...os dízimos da nossa terra aos levitas, pois a eles cumpre receber os dízimos em todas as cidades onde há lavoura.
Quem?
No capítulo 26, descobrimos que esse quem envolvia o dizimista e os que deveriam receber os dízimos: os levitas, o estrangeiro, os órfãos e as viúvas. Esses últimos, como já disse, estavam autorizados a comer o dízimo em todo lugar, e sem a necessidade de praticar o cerimonial de se purificar. O dizimista, não; somente podia comer o dízimo estando puro e no lugar predeterminado por Deus. [Números 18, Deuteronômio 26].
Uma perguntinha pertinente, mas perturbadora: Alguma vez você foi instruído a comer o dízimo, ou a distribuí-lo com o estrangeiro, com os órfãos ou com as viúvas, como está ordenado na Bíblia ao dizimista fazer? Se não, você está sendo enganado! Mostraram-lhe Malaquias 3, mas esconderam Deuteronômio 14 e 26. Ora, se em relação ao dízimo, Malaquias 3 é aplicável à Igreja, penso que Deuteronômio 14 e 26 também devem ser. Você não acha meu caro dizimista?
Como?
Ao dizimista competia levar o dízimo ao lugar escolhido por Deus, comê-lo e distribuí-lo. Mas como fazer? Para levar uma grande quantidade e a lugar distante, podia vendê-lo, transformando-o em dinheiro, e depois comprar outras coisas para pôr no lugar das que vendera. Isso também está disciplinado nos capítulos 14 e 26 de Deuteronômio.
Viu? Comer o dízimo não era nenhum ato de profanação de coisa sagrada, como alguns pregadores andam dizendo (e escrevendo) por aí. Muito pelo contrário. Era ato de estrita obediência ao preceito de Deus! Bom, aqui fica claro que ele podia e tinha de comer. Mas poderia administrá-lo? Vou transcrever mais um texto:
Quando acabares de separar todos os dízimos da tua messe no ano terceiro, que é o dos dízimos, então os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas cidades, e se fartem [Deuteronômio 26].
Viu? Nesse ano, o terceiro, o próprio dizimista distribuía o dízimo do que ele havia colhido, dando-o ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, nas cidades deles. Apenas a parte que tocara ao dizimista era levada ao lugar que Deus escolhera. A outra parte (80%) era distribuída pelo dizimista. Ele estava administrando, em obediência ao preceito de Deus.
Veja e compare o grau de sagração do dízimo e da páscoa. Observe que até o estrangeiro, não descendente de Jacó, tinha o direito de comer o dízimo, em qualquer lugar. Mas se quisesse comer a páscoa, tinha de observar primeiramente o ritual da circuncisão, pois do contrário não podia comê-la [Êxodo 12].
No tempo presente, já ouviu alguma vez o dizimista ser orientado a comer o dízimo? Eu sei que surgirão muitas explicações. Dirão alguns cobradores de dízimo: Na atualidade, o dizimista entrega o dízimo em dinheiro na igreja e se alimenta da palavra. Espiritualiza-se. Mas não é assim que está escrito. Na Bíblia, o dizimista comia literalmente o dízimo, digeria o dízimo comido e, desculpe a franqueza, defecava o dízimo que comera e digerira! Não se tratava de palavras ou de ensinamentos recebidos. Era comida mesmo: produtos da terra e animais! Como diríamos hoje: arroz, feijão e carne!
Havia uma restrição: o dizimista não podia comer o dízimo em casa, somente no lugar determinado por Deus, ou seja, no templo, no lugar de adoração [Deuteronômio 12]. O levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva podiam comê-lo na sua cidade [Deuteronômio 26]. Sabe por que o dizimista não podia comer o dízimo em casa ou em sua cidade, ou em outro lugar que não no templo? Porque o seu dízimo fazia parte do culto, e o culto doméstico era proibido, para não haver confusão com o culto prestado aos deuses dos pagãos, tão abundantes naqueles tempos [Deuteronômio 12].
Bom, os levitas foram dados aos sacerdotes, para servi-los [Números 3, I Samuel 2, I Crônicas 23]. Os sacerdotes não recebiam dízimos diretamente do dizimista. Recebiam o dízimo dos dízimos dos levitas. Não do estrangeiro, nem dos órfãos, nem das viúvas, pois esses não tinham obrigação de dizimar [Números 18, Neemias 10].
Dizimista Fiel
No item Duas Curiosidades Sobre o Dízimo, o bispo ali mencionado exigiu urgentes providências de Deus, alegando ser um dizimista fiel. Cabe aqui uma pergunta: O que é ser um dizimista fiel? Em que consiste isso?
Há empresas comerciais que fazem promoções dos seus produtos, vendidos para serem pagos em prestações mensais, prometendo um brinde para o comprador que efetuar o pagamento no prazo do vencimento de cada prestação. Outras prometem que se o prestamista efetuar o pagamento no prazo, concorrerá ao sorteio de um automóvel ou de uma casa. Ela se empenha para fazer prestamistas fiéis. Podemos entender, então, que prestamista fiel é o que paga em dia suas prestações. E o dizimista fiel, o que ele deve fazer para merecer esse epíteto?
Ora, vimos que Deus estabeleceu todos os deveres de um dizimista. Parece-me lógico concluir que dizimista fiel é aquele que cumpre todas as condições estabelecidas por Deus, como acabamos de ver acima. Mas confeccionar uma fitinha ou pulseira e trazê-la no braço — ao modo dos devotos do Senhor do Bonfim — e nela inscrever: Ó, Deus! Não se esqueça que eu sou dizimista fiel, não faz de nenhuma pessoa um dizimista fiel. Deus não mandou pôr fitinha nem pulseira no braço, para lembrá-lo de qualquer coisa! Deus não tem memória curta. O homem, sim, é que precisa de lembretes, para não se esquecer dos mandamentos de Deus. Tanto que Deus ordenou aos hebreus, que usassem franjas ou borlas nos cantos das suas vestes, amarradas com fita azul, para que, vos lembreis de todos os mandamentos do Senhor, e os cumprais; e não seguireis os desejos do vosso coração, nem o dos vossos olhos, após os quais andais adulterando [Números 15, Deuteronômio 22]. Alguma vez você foi instruído a usar franjas ou borlas nos cantos das vestes, amarradas com fita azul, para se lembrar dos mandamentos de Deus? Dá para perceber como os pregadores gostam de inventar coisas? Deus não mandou usar fitinha para lembrá-lo de alguma coisa, mas o pregador usa. Deus mandou usar franjas ou borlas na roupa, para o homem se lembrar dos mandamentos dele, mas o pregador não usa! Nem as promoções que são feitas em certas igrejas, de chamar os dizimistas fiéis à plataforma para receberem honrarias e uma oração especial; nem um certificado que lhe seja concedido, podem substituir o que Deus determinou que fosse feito. O que ele mandou a respeito do dízimo está expresso com clareza e muito bem detalhado nos textos bíblicos já citados. Não consta que ele tenha delegado poderes para alguém modificar suas instruções, reescrever a Bíblia e estabelecer novas regras. Os fariseus e os escribas é que costumavam modificar os preceitos de Deus, substituindo-os pelas suas tradições. E por causa disso, foram severamente repreendidos pelo Senhor Jesus [Mateus 15, Marcos 7]. Está escrito, e as regras do dízimo eram claras. Cabia aos judeus observá-las, como lhes fora determinado. E... zé fini!
O bispo acima referido se diz um dizimista fiel. Mas posso garantir que, à luz dos preceitos bíblicos, ele nunca foi, não é e nunca será um dizimista fiel. Ele não tem como satisfazer todas as condições e regras estabelecidas por Deus e claramente expressas na Bíblia. Ele pode até ser um ofertante generoso, um louvável contribuinte com dez por cento, vinte por cento, até com noventa por cento de toda a sua renda, ou com tudo! Mas nunca um dizimista bíblico, pois o dízimo ensinado nas igrejas não é o dízimo bíblico e nem se parece com ele!
O dizimista bíblico era um judeu que recebera uma herança na terra de Canaã. E dessa terra, tinha de separar todas as dízimas, tanto do grão do campo, como do fruto das árvores, do gado e do rebanho. Tinha de levar o dízimo ao lugar determinado por Deus e lá comer esse dízimo estando puro. No terceiro ano, tinha de distribuí-lo com o levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva. Ao fazer essa entrega, tinha de recitar uma oração específica. Não podia dar do dízimo para a casa de nenhum morto, e nem dele comer estando impuro. E isso em nada se parece com o dízimo ensinado nas igrejas hoje. Qualquer outra prática diferente dessas estabelecidas por Deus é criação ou pura invencionice do homem. A lagartixa se parece muito com um filhote de jacaré, mas nunca chegará a tal. Lagartixa é lagartixa, jacaré é jacaré. O dízimo bíblico é o dízimo ordenado por Deus; o dízimo praticado nas igrejas é o dízimo criado e imposto pelo homem! Não estou dizendo que ele é bom nem que é ruim; se está certo ou se está errado; se traz bênção ou não. Estou afirmando que não é o dízimo exigido por Deus. Não é o dízimo mencionado por Malaquias.
Há empresas comerciais que fazem promoções dos seus produtos, vendidos para serem pagos em prestações mensais, prometendo um brinde para o comprador que efetuar o pagamento no prazo do vencimento de cada prestação. Outras prometem que se o prestamista efetuar o pagamento no prazo, concorrerá ao sorteio de um automóvel ou de uma casa. Ela se empenha para fazer prestamistas fiéis. Podemos entender, então, que prestamista fiel é o que paga em dia suas prestações. E o dizimista fiel, o que ele deve fazer para merecer esse epíteto?
Ora, vimos que Deus estabeleceu todos os deveres de um dizimista. Parece-me lógico concluir que dizimista fiel é aquele que cumpre todas as condições estabelecidas por Deus, como acabamos de ver acima. Mas confeccionar uma fitinha ou pulseira e trazê-la no braço — ao modo dos devotos do Senhor do Bonfim — e nela inscrever: Ó, Deus! Não se esqueça que eu sou dizimista fiel, não faz de nenhuma pessoa um dizimista fiel. Deus não mandou pôr fitinha nem pulseira no braço, para lembrá-lo de qualquer coisa! Deus não tem memória curta. O homem, sim, é que precisa de lembretes, para não se esquecer dos mandamentos de Deus. Tanto que Deus ordenou aos hebreus, que usassem franjas ou borlas nos cantos das suas vestes, amarradas com fita azul, para que, vos lembreis de todos os mandamentos do Senhor, e os cumprais; e não seguireis os desejos do vosso coração, nem o dos vossos olhos, após os quais andais adulterando [Números 15, Deuteronômio 22]. Alguma vez você foi instruído a usar franjas ou borlas nos cantos das vestes, amarradas com fita azul, para se lembrar dos mandamentos de Deus? Dá para perceber como os pregadores gostam de inventar coisas? Deus não mandou usar fitinha para lembrá-lo de alguma coisa, mas o pregador usa. Deus mandou usar franjas ou borlas na roupa, para o homem se lembrar dos mandamentos dele, mas o pregador não usa! Nem as promoções que são feitas em certas igrejas, de chamar os dizimistas fiéis à plataforma para receberem honrarias e uma oração especial; nem um certificado que lhe seja concedido, podem substituir o que Deus determinou que fosse feito. O que ele mandou a respeito do dízimo está expresso com clareza e muito bem detalhado nos textos bíblicos já citados. Não consta que ele tenha delegado poderes para alguém modificar suas instruções, reescrever a Bíblia e estabelecer novas regras. Os fariseus e os escribas é que costumavam modificar os preceitos de Deus, substituindo-os pelas suas tradições. E por causa disso, foram severamente repreendidos pelo Senhor Jesus [Mateus 15, Marcos 7]. Está escrito, e as regras do dízimo eram claras. Cabia aos judeus observá-las, como lhes fora determinado. E... zé fini!
O bispo acima referido se diz um dizimista fiel. Mas posso garantir que, à luz dos preceitos bíblicos, ele nunca foi, não é e nunca será um dizimista fiel. Ele não tem como satisfazer todas as condições e regras estabelecidas por Deus e claramente expressas na Bíblia. Ele pode até ser um ofertante generoso, um louvável contribuinte com dez por cento, vinte por cento, até com noventa por cento de toda a sua renda, ou com tudo! Mas nunca um dizimista bíblico, pois o dízimo ensinado nas igrejas não é o dízimo bíblico e nem se parece com ele!
O dizimista bíblico era um judeu que recebera uma herança na terra de Canaã. E dessa terra, tinha de separar todas as dízimas, tanto do grão do campo, como do fruto das árvores, do gado e do rebanho. Tinha de levar o dízimo ao lugar determinado por Deus e lá comer esse dízimo estando puro. No terceiro ano, tinha de distribuí-lo com o levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva. Ao fazer essa entrega, tinha de recitar uma oração específica. Não podia dar do dízimo para a casa de nenhum morto, e nem dele comer estando impuro. E isso em nada se parece com o dízimo ensinado nas igrejas hoje. Qualquer outra prática diferente dessas estabelecidas por Deus é criação ou pura invencionice do homem. A lagartixa se parece muito com um filhote de jacaré, mas nunca chegará a tal. Lagartixa é lagartixa, jacaré é jacaré. O dízimo bíblico é o dízimo ordenado por Deus; o dízimo praticado nas igrejas é o dízimo criado e imposto pelo homem! Não estou dizendo que ele é bom nem que é ruim; se está certo ou se está errado; se traz bênção ou não. Estou afirmando que não é o dízimo exigido por Deus. Não é o dízimo mencionado por Malaquias.
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